Uma droga para combater o racismo
Por Charles Nisz | Vi na Internet – seg, 19 de mar de 2012
Pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra) descobriram que o propranolol, droga usada para combater pressão alta e ataques cardíacos, diminuía o preconceito racial de quem ingeria o medicamento.
Durante a pesquisa, foi analisado o comportamento de 36 pessoas: 18 delas receberam o medicamento e as outras 18 receberam um comprimido de farinha (sem efeito algum). Segundo os autores do estudo, o preconceito racial é desencadeado por uma reação automática e inconsciente de medo.
O propranolol, por alterar os níveis de pressão arterial e as nossas reações instintivas de defesa, ajudaria a combater essas associações racistas. Os pesquisadores afirmam que o grupo de estudo é pequeno e que essa relação ainda precisa ser melhor estudada, mas pode ser um caminho para entender o mecanismo que desencadeia as associações de pensamento racistas (vi no@MedicalNewsToday)
Análise do grupo:
O racismo é fruto de uma construção histórica, que são determinados por fatores econômicos, políticos e culturais. Não é possível pensar no sistema capitalista sem a reprodução das opressões, pois essas se colocam como fundamentais à sua acumulação, porque reproduzem as relações de desigualdade que são inerentes a este sistema.
Essas relações de opressão evoluíram com o passar do tempo, e de acordo com cada momento histórico, onde a sociedade dava a essa questão, respostas cada vez qualificadas que colocavam a população vítima dessa forma de descriminação cada vez mais, a margem da sociedade.
Essas respostas se desenhavam de acordo com a correlação de forças presentes na sociedade, e acompanhavam a evolução das forças produtivas. O aumento das desigualdades e as condições cada vez mais escassas, nos quais, os negros eram submetidos, culminaram na organização dos mesmos na luta contra o racismo. Os governos, a partir desse fator objetivo da crescente organização desses setores marginalizados da sociedade, se viram obrigados a readequar sua política racista, daí surge no Brasil a teoria da Democracia Racial.
Como se provou cientificamente que inexiste diferenças suficientes para se separar em raças e para afirmar que uma raça é superior a outra, logo inicia-se uma tentativa de divulgar que não existe racismo. Contudo, sabemos que objetivamente o racismo está cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, e que se reproduz na esfera da produção e reprodução de riqueza. Há hoje no Brasil, um racismo velado, e uma tentativa constante de mascarar e naturalizar suas facetas mais cruéis.
Essa reportagem é fiel retrato disso, pois coloca o racismo como algo deslocado de nossa vontade, de nossa consciência; desconsidera as relações de produção e reprodução de desigualdades dessa sociedade. Mais uma tentativa de legitimar essa falsa Teoria da "Democracia Racial", e colocá-la como algo biológico e natural. Reflete o trato dado pelo neoliberalismo à todos os problemas sociais numa lógica de tratamento.
Grupo: Lívia Umbelino, Rafaela Albergaria, Carla Sabrina de Lima, Jocelaine Failde, Camila Medeiros, Gustavo Palmares
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